O USO DE DISCURSO NO ENSINO DE “DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO NA FORMA ENDÓGENA E SUSTENTÁVEL”  

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Nelson Correia Belo Sarmento

Pelo: Nelson Correia Belo Sarmento ( GEECITE-TL )

nelsoncorreiabelosarmento@gmail.com

 

Resumo

Este presente trabalho visa apresentar o resultado parcial da minha pesquisa  em andamento sobre a discussão, debate e leitura sobre DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DE FORMA ENDÓGENA E SUSTENTÁVEL na minha aula de cidadania e desenvolvimento social  que realizei no primeiro trimestre deste presente ano com os meus queridos discentes do décimo primeiro ano do ensino secundário do Colégio de Santo Inácio de Loiola Kasait, Ulmera, Liquiça.  O objetivo desta pesquisa é compreender os sentidos sobre o desenvolvimento comunitário na forma endógena e sustentável, que foram produzidos pelos discentes, e saber como os estudantes contextualizam o referido tema através das pesquisas deles e envolvendo os textos no manual do aluno. Para isso, a pesquisa realiza-se no campo de natureza qualitativa tomando aporte referencial de análise do discurso de francesa (AD) nos estudo de Michel Pêcheux traduzido pelo Eni-orlandi, a educação CTS e o Paulo Freire. O resultado mostra que os estudantes estão construindo as diversas interpretações e contextualizaram de forma polissêmica que enriquecer a aula durante a discussão acerca do tema de Desenvolvimento comunitário de forma endógena e sustentável.

PALAVRA CHAVE:  Desenvolvimento Comunitário, Cidadania e desenvolvimento Social e   Análise discurso.           

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Devido à construção do estado para o desenvolvimento do país, o governo timorense traçou enorme política para o país em diversos setores produtivas bem como o setor da educação.  Em 2011 o ministério da educação e cultura timorense como o apoio da Universidade de Aveiro (UA) junto com as outras parcerias, reestruturar o currículo do ensino secundário geral (ESG). Obedecendo a lei Base da Educação timorense, permitir todos os recursos materiais e  didáticos na língua portuguesa e introduziu a referida língua como veículo de aprendizagem de ciências . Neste contexto o ESG se optaram a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento Social (CDS).  Essa disciplina incorpora-se no componente geral do currículo e é comum aos dois percurso de  formação “ Ciência e Tecnologia e Ciência sociais e Humanidades” [1].

Durante a implementação do novo currículo do ESG  em  todas escolas no território do país,  o currículo acabaria tornar-se desafios por causa de inúmeras questões que foram enfrentados pelos autoridades escolares, professores e estudantes.  Conforme Sarmento et al (2017),  um dos  desafios atuais na implementação do referido currículo são a seguinte : tais manuais foram elaborados em língua portuguesa e, desde então, vem sendo introduzidos nas escolas públicas e privadas do país. Nem sempre esse material é acessível a todos os professores, não somente no sentido de obter cópias físicas do livro, mas também porque muitos não compreendem o material ou por não falarem português e/ou porque não são formados na área em que atuam.   Barbosa e Cassiani (2015), nos seus estudos sobre o efeito de colonialidade no currículo ensino secundário em Timor-Leste mostra que a construção do currículo se deu principalmente por instituições portuguesas responsáveis e teve pouca participação dos timorenses, caracterizando uma construção curricular de cima para baixo.  Ramos Gonçalves (2012), os livros escolares e estratégias pedagógicas utilizadas para a aprendizagem da Língua Portuguesa nas escolas têm sido elaborados sem conhecimento das realidades locais e das características do Tétum (língua nativa falada em mais 90% do território timorense) e omitem aspectos importantes das histórias de Timor-Leste, decorrente da muito provável falta dos conhecimentos dos estrangeiros sobre o país.

A partir desses desafios, o ensino e a aprendizagem criaram uma forte possibilidade de promover um ensino tradicional, dogmatista, conservador e bancário que por sua vez os professores basta reproduzir os conhecimentos destacados nos manuais sem fazer uma leitura crítica, abordar as situações da sua realidade e sem fazer uma contextualização. E os estudantes basta apreender com uma forma de memorizar os conteúdos dados pelos professores assim a sua finalidade propor um distanciamento dos conhecimentos nas escolas com a realidade dos discentes no lugar onde eles se inserem.

O Freire  na sua obra, pedagogia da autonomia (2015),  apresenta uma visão crítica e problematizadora no ensino e na aprendizagem que funciona com a emancipação  políticas e de ação transformação da  realidade. Isso  se baseia na indissociabilidade dos contextos e das histórias de vida de sujeito, que ocorre por meio do diálogo e da relação entre  discentes e professores. Freire enfatiza que ambos, professores e alunos, são transformados no processo da ação educativa e aprendem ao mesmo tempo em que ensinam, sendo que o reconhecimento dos contextos e histórias de vida neste diálogo se desdobra em ação emancipadora.

A educação problematizadora busca esti­mular a consciência crítica da realidade e a postura ativa de alu­nos e professores nos processos de ensino e aprendizagem, de forma que não haja uma negação ou desvalorização do mundo que os influencia. Sendo assim, a educação é encarada como um ato político, e as relações estabelecidas entre alunos e professores devem ser embasadas em interações de respeito entre professores e alunos como  sujeitos e cidadãos, de modo a construir conhecimento crítico e centrado na busca pela autonomia. Segundo Freire, a ideia de que o professor deve transmitir conhecimentos ao aluno e que este deve memorizá-los, internalizá-los e re­peti-los mecanicamente é denominada “concepção bancária” da educação. A concepção bancária parte do pressuposto de que o professor é detentor de conhecimentos legítimos e que o aluno é um mero receptáculo de informa­ções.

Na base dessas teorias e visão  propor a aula de Cidadania Desenvolvimento Social em  discussão, debate e leitura  sobre o Desenvolvimento Comunitário de forma endógena e sustentável, com a seguinte questão “como os discentes do 11.o Ano relaciona o tema de Desenvolvimento Comunitário de Forma endógena e Sustentável presente no manual  aluno do ensino secundário geral  com o contexto timorense?

Reconhecendo a importância em buscar e discutir  o tema de desenvolvimento  comunitário de forma endógena e sustentável, neste artigo traçamos como objetivo principal  compreender os sentidos sobre o desenvolvimento comunitário na forma endógena e sustentável, que foram produzidos pelos discentes, e saber como os estudantes contextualizam o referido tema através das pesquisas deles e envolvendo os textos no manual do aluno.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este estudo engloba os discentes do décimo primeiro ano do ensino secundário geral do colégio de santo Inácio de Loyola  nos dois percurso de formação ciência e tecnologia (2 turmas) e ciência sociais e humanidade  (1  turma). Antes de recolher as informações propôs primeiro a aula de cidadania e Desenvolvimento Social  em discussão e leitura entre os estudantes com os grupos em cada 3 turmas.  Após a discussão apresentado na turma escolhi  dois discentes vocal de um grupo representado CT (Ciência e tecnologia) e um grupo representado do CSH ( Ciência sociais e humanidades)   para serem entrevistado sobre o assunto da pesquisa. Buscando anonimato e a privacidade dos entrevistados, denominado os entrevistados como  :  A1 (vocal do CT), e A2 ( Vocal do CSH ). As informações do estudo foram obtidos por meio de uma entrevista semi-estruturado obedecendo ao guião de entrevista (Apêndice 1) que foram gravados mediante autorização prévia dos entrevistados e posteriormente transcritas para serem analisados. Os referenciais teórico-metodológicos utilizados para leitura e análise das informações se baseiam na Análise Discurso francesa (AD), fundamentada nos estudos de Michel Pêcheux, traduzidos por Eni Orlandi, os estudos de Paulo Freire e da Educação CTS.  Segundo o Orlandi (2009) análise do discurso trata do discurso, que se procura compreender a língua fazendo sentido, enquanto trabalho simbólico, parte do trabalho social geral, constituído do homem e da sua história.

RESULTADO

AO QUESTIONARMOS, O QUE ELES ENTENDEM SOBRE O DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO E QUE MODELO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO QUE ACHOU MAIS NECESSITADOS PARA QUE O DESENVOLVIMENTO IRÁ SUSTENTÁVEL E ENDÓGENA, OBTEMOS AS SEGUINTES ENUNCIADOS:

Para A1. […………] para mim o desenvolvimento comunitário que eu conheço como cultivar as hortaliças  no nosso campo, porque na minha aldeia no tempo seco nós não temos hortaliças e às vezes as pessoas não come arroz com hortaliças, mas apenas com tamarindo, por isso cultivar as hortaliças  eu acho é pertinente ao nosso contexto.

Nesse assunto o A1 contextualizou  o desenvolvimento comunitário a partir  das necessidades das comidas que ele frequentou. Conforme ele nos tempos secos não têm hortaliças para comer, devido ao local onde ele insere é uma terra seca. Portanto para ele desenvolvimento comunitário que ele precisa é cultivar as hortaliças assim pode atender as necessidades de consumir as hortaliças nos tempo secos.

Para A2.  […..] a atividade que eu conheço como desenvolvimento comunitário no meu local é como atividade produção de sal na nossa aldeia, porque  sabemos antes nós timorense apenas consumir sal importados da Indonésia e os outros países vizinhos. Depois da produção desse sal nós já podemos consumir os nossos próprios sal, não apenas de consumir mas podemos também dar lucro aos moradores do local, que antes eles não têm trabalho.

Para A2 o desenvolvimento comunitário para ele produção do sal, porque segundo ele esse desenvolvimento produção de sal,  não apenas consumir, mas além de consumir também contribuir ao rendimento das comunidades e contribuir ao minimizar o problema de desemprego no referido local e melhorar rendimento das famílias a partir dos trabalhos .

AO QUESTIONARMOS COMO PODEMOS REALIZAR UM DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO DE FORMA SUSTENTÁVEL, OBTEMOS AS SEGUINTES ENUNCIADOS:

Para o A1. […………], como eu disse o desenvolvimento comunitário hojé é cultivar as hortaliças, portanto para ser sustentável para mim como é que esses hortaliças tornar saudável, uma das coisas é cultivar as hortaliças sem utilizar exagerado os agrotóxicos e adubos químicos,  que segundo o meu ponto de vista isto pode causar danos e prejuízos ao solo, aos animais e também saúde humana. Mas nós podemos utilizar os conhecimentos tácitos que nós temos, como cultivar utilizar as fezes das vacas, cabras e porcos.

O A1 enfatiza que  o desenvolvimento de cultivar as hortaliças para ser mais sustentáveis é  plantar as verduras com uma forma saudável para saúde humana. Conforme ele o melhor forma de plantar as verduras saudáveis e plantar de forma natural sem utilizar exagerado os agrotóxicos e adubos químicos que poderia causar inúmeras problemas como estragos dos solos causa solo inférteis para o longo prazo e etc.

Para o A2. [……………] para mim, eu acho para ser mais sustentáveis  precisamos de englobar todos os moradores do referido bairro, assim pode dar campo de trabalhos aos todos que quiserem ter emprego para sustentar a vida do local. Além disso precisamos de alargar mais o terreno de produção de sal para que esses são produzidos aqui em timor pode servir aos todos populações timorense, porque a produção desse sal produz apenas no tempo seco.

O A1 enfatiza que para ser sustentável e endógena precisa de englobar todos moradores no lugar da produção de sal  para minimizar o desemprego no local referida. Ele também salientou  através desse trabalho pode melhorar a rendimento  econômica das famílias no referido local. Em outro lado conforme a condição da produção de sal, normalmente produziu apenas nos tempos secos portanto ele sublinhou para alargar mais o campo de produção de sal assim pode satisfazer as necessidades de consumir o sal para todos sem haver uma minimização .

Depois de analisar  todos os enunciados apresentados pelos  estudantes A1 e A2 conforme os trechos em cima, mostram  que os estudantes produzem sentidos sobre o desenvolvimento comunitário  com ações planejados  e  visa resolver os problemas enfrentados por eles em  determinado local onde eles inserem. Neste caso os estudantes  produz sentidos acerca o desenvolvimento comunitário a partir das situações das suas realidades. Como menciona o Paulo freire os ensinar e aprender e conhecer a sua vida própria

Conforme mostra o A1 e A2 como problema sem consumir as verduras nos tempos secos e a problema de consumir o Sal.  A construção do  desenvolvimento de  forma sustentável e endógena para eles construir  de forma saudável sem causar outras problemas aos seres humanos e o meio ambiente além disso  realizar de forma participativo, redução de taxa de desemprego e melhorar rendimentos econômicos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em termos de considerações finais, salientamos que não se trata de negar a importância de
abordar conteúdos apresentados nos manuais escolares, mas sim destacar a importância e a relevância de serem contemplados no ensino da realidade timorense.

Além disso os professores que ministram as aulas de Cidadania e Desenvolvimento Comunitário podem trabalhar os temas apresentados nos manuais com estudantes a partir de explorar os fenômenos ocorridos na sociedade timorense, assim desenvolver, discutir e debater na turma para que os meninos podem ter os conhecimento sobre a si próprio e a sua própria realidade.
Conforme mostra no currículo ensino secundário geral timorense na competência sociais que os alunos devem aprofundar conhecimentos sobre si e sobre os outros e sobre como viver emsociedade. Devem desenvolver conhecimentos sobre culturas diferentes.

 

 

 

 

HUSIK IDA HATÁN